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Filhos, games e o futuro do trabalho

Saiba como os games podem influenciar o futuro e o trabalho dos filhos de uma forma que não é muito abordada e pode ser muito benéfica.

Confira o artigo do Rafael, responsável pelo processo e desenvolvimento do produto Work Player.

Acredito que falo com muitos pais quando digo que há uma certa preocupação em relação ao tempo que nossos filhos gastam jogando games diariamente e como isto pode impactar o futuro deles.

Quem nunca se perguntou se eles não deveriam estar estudando ou lendo ao invés de estar jogando?

Praticar um esporte ou brincar na rua soa muito mais benéfico, mas em tudo há o lado bom e o ruim e precisamos avaliar com cuidado.

Por isso, hoje eu venho falar da minha experiência pessoal sobre ser pai de 3 filhos e a nossa relação com os games, principalmente no que se refere ao trabalho e o futuro deles.

Pais e filhos jogando juntos

Segundo a sétima edição da Pesquisa Game Brasil (PGB), 71% dos pais brasileiros jogam games junto com os filhos e 60,2% gostam que eles realizem a atividade.

Com esses dados já podemos perceber que os games têm um importante papel na aproximação familiar, sendo uma atividade de lazer recorrente.

Também é possível constatar que mais da metade dos pais concordam que os jogos eletrônicos possuem benefícios. E essa percepção vem diretamente daqueles que jogam, ou seja, conhecem o ‘produto’ e seus efeitos.

A pesquisa ainda aponta que 53,9% concordam que a variação de jogos estimula diferentes habilidades para seus filhos.

Acredito que há benefícios a serem explorados e que precisamos conhecer o material que nossas crianças são expostas para sermos capazes de opinar de forma consistente.

Os games possuem faixa etária e acredito que isso deve ser respeitado. O que estou defendendo aqui é que, se existe a oportunidade de nossos filhos aprenderem se divertindo, ela tem de ser aproveitada.

Games e o desenvolvimento de novas habilidades

Se você está se perguntando de que forma os games estão sendo proveitosos para nossos filhos, vou citar alguns exemplos para ilustrar.

Comunicação virtual e facilidade com aplicativos

A pandemia nos trouxe a uma nova realidade e a aceleração da transformação digital pegou todos de surpresa. De uma hora para outra, nos vimos em casa aprendendo a usar tecnologias que não estávamos tão habituados para que fosse possível trabalhar remotamente.

Mas as dificuldades que encontrei, foram superadas muitas vezes com o auxílio de meus filhos.

Como já mencionei, tenho 3 filhos: uma menina de 9 anos e dois rapazes de 15 e 17 anos.

Algumas situações que foram novidade para mim durante a pandemia, de certa forma eles já estavam muito bem habituados. Um dos exemplos é a comunicação virtual constante com várias pessoas. Algo que já faz parte do dia a dia deles, pois utilizam canais para se comunicar durante o jogo.

“Ah, mas eles já são mais velhos” – este pode até ser um bom argumento, mas a surpresa veio por meio da minha filha mais nova, que com apenas 9 anos consegue me ajudar a utilizar novas funcionalidades no meu celular e já sugeriu aplicativos para meu filho mais velho usar nas edições de seus vídeos sobre violão.

O fato dela ter nascido bem depois, num momento no qual as redes sociais já bombavam, diferente de mim e dos meus filhos, deve ser um fator que faz com que ela tenha ainda mais facilidade com a tecnologia.

Multifuncionalidade

Eu vejo muito neles uma facilidade em multitarefas. Ao mesmo tempo que está tocando violão, está mexendo no celular, ou assistindo um vídeo.

Na maioria dos jogos, multitarefa é uma habilidade fundamental. Sua atenção e seu foco precisam estar divididos para lidar com os inimigos ao mesmo tempo em que conjura habilidades e olha o mapa, por exemplo.

Percepção visual aguçada

Por conta dos vários gráficos de alta qualidade a que são expostos, suas percepções visuais também são bem aguçadas. Gosto de mostrar e trocar ideia com eles sobre telas de interfaces que estamos desenvolvendo no meu trabalho para que passem pela crítica aguçada desse olhar do gamer.

Podemos concordar que essas são habilidades consideráveis, mas você deve estar se perguntando como elas podem ajudar a desenvolver competências profissionais para profissões que sequer sabemos quais serão.

É claro que depende do tipo de jogo, porém muitas dessas habilidades servem para qualquer tipo de profissão.

Dos games à vida profissional

Algumas competências e questões neurais desenvolvidas no mundo dos games podem ser úteis quando levadas ao ambiente corporativo. Vou dar alguns exemplos novamente.

Rapidez de raciocínio e atenção aos detalhes

Ser detalhista é algo fundamental nos games, assim como raciocinar com rapidez e improvisar. Deixar passar algum detalhe ou objeto, pode atrapalhar todo o progresso. Além disso, por muitas vezes você pode se encontrar encurralado e precisa pensar rápido em como sair dali com vida.

Quantas vezes somos encurralados em reuniões e precisamos de raciocinar rapidamente para reverter alguma situação e evidenciar a melhor solução. Se não temos as informações necessárias ou se não percebemos algum detalhe exposto, dificilmente sairemos bem desta situação.

Ambas as habilidades podem ser adaptadas para qualquer profissão. A atenção aos detalhes fará com que ele cometa menos erros. Já a rapidez de raciocínio o deixará preparado para lidar com situações inesperadas.

Navegação em diferentes interfaces

Navegar em diferentes interfaces por conta dos jogos variados, faz com que os nossos filhos possuam uma maior facilidade em aprender a usar novos aplicativos, sistemas e softwares. Isso acaba se tornando uma habilidade intuitiva que possibilita encontrar e entender facilmente as funcionalidades e de como o todo deve funcionar.

Monotarefa

Quem nunca tentou falar com os filhos enquanto eles jogavam e saiu totalmente frustrado? A capacidade de concentrar-se ao máximo em uma coisa e esquecer o mundo ao redor é algo potencializado nos games.

Multitarefa

Esta questão traz pontos positivos e negativos. Realizar várias tarefas ao mesmo tempo pode ser possível em algumas situações do jogo, ou na vida profissional, mas não durante muito tempo ou com muita frequência, e nem em determinadas situações que exijam foco e atenção, como conversar com alguém, ou elaborar um conteúdo específico.

Nos jogos, quanto maior o nível alcançado, maiores as dificuldades para transpor os obstáculos e vencer os desafios, e, consequentemente maior a necessidade de foco e determinação para superá-los.

Perseverança na resolução de problemas

Muitas vezes os jogos exigem muita insistência para passar por uma fase, ou seja, a perseverança é algo fortemente desenvolvido em quem joga.

Outro ponto forte é a capacidade de resolver problemas. Situações cada vez mais variadas e complexas são apresentadas ao jogador que deve pensar no melhor caminho e na melhor forma de utilizar os recursos disponíveis para resolver o problema ou sair da situação em que se encontra.

Alguma semelhança com nossa vida pessoal e profissional?

Integridade

Para conquistar honrarias em jogos, é preciso manter a integridade, ser um jogador exemplar e cooperar com os aliados.

Resiliência

Outro ponto muito explorado e exercitado nos jogos é a resiliência. Por vezes, meus filhos ficam travados em determinadas fases de um jogo, e mesmo assim, não pensam em desistir.

Comunicação, trabalho em equipe e interatividade

Interagir, se comunicar e trabalhar em equipe com pessoas desconhecidas é algo completamente normal em games de cooperação online. Independente da profissão, essas são habilidades valiosas para crescer na carreira.

Pensamento digital

O pensamento digital consiste em enxergar as inovações como aliadas e ficar animado para testar as novas tecnologias. Essa forma de pensar faz com que os nossos filhos sejam mais abertos às evoluções que hoje em dia são cada vez mais rápidas e disruptivas. Além disso, faz com que eles estejam sempre dispostos a aprender coisas novas.

Facilidade de adaptação

Como mencionei, meus filhos já estavam habituados ao modo de viver que a pandemia nos colocou. Os vários cenários e situações diferentes nos games podem ter ajudado na adaptação rápida deles à esta realidade que vivemos atualmente.

Estar preparado para diferentes situações e desafios

Não sei em que profissão nossos filhos irão trabalhar, mas posso dizer que, independentemente de qual for, a que ocuparem ao longo da vida, necessitarão não somente de adaptabilidade, mas de todas estas habilidades, se quiserem ter e manter o sucesso nas suas carreiras profissionais e na vida.

Os cuidados com os games

Como dizem, nem tudo são flores. Por isso, existem sim alguns cuidados que devem ser tomados em relação aos games. Afinal, não é novidade que tudo em excesso faz mal.

Saúde física, mental e espiritual

Praticar um esporte, ler um livro, estudar e buscar sempre o crescimento na vida espiritual são fatores importantes, sendo o último essencial. São fatores que devemos estimular sempre em nossos filhos. Os games trazem benefícios, mas o excesso deles impede que se desenvolvam física, mental e espiritualmente.

Escolher bem e monitorar

Escolha bem os jogos que eles podem jogar. Realize a atividade com eles e converse sobre as missões, objetivos e temática do jogo para entender qual aprendizado está sendo extraído.

Convivência social

Reforce a importância da convivência e do olho no olho. Papo em família e entre amigos. Sair de casa para se divertir. O contato humano é essencial e os games podem causar isolamento.

Comunicação presencial

Comunicar-se por meio dos jogos e presencialmente são coisas diferentes. Seu filho pode ser extremamente comunicativo online e retraído na vida real. Buscar um equilíbrio entre ambos é necessário.

Pontualidade e prazos

Nenhum desses dois fatores aparecem com muita frequência nos games. As missões podem se arrastar por meses, sem data de término ou a necessidade de jogar em um horário específico. Por isso, é necessário que essas habilidades sejam desenvolvidas de outras formas no dia a dia.

Fazer bem feito

“O feito é melhor que o perfeito, mas não pode ser mal feito!”

Nos jogos, pode-se morrer incontáveis vezes antes de se conseguir atingir um objetivo. Por esse motivo, é preciso ressaltar para os nossos filhos que na realidade não é assim. Tudo precisa ser bem feito (e não perfeito) logo na primeira vez. Às vezes não temos uma outra “rodada”.

Em resumo, como tudo na vida, há benefícios e malefícios. Mas será que nós pais estamos sabendo visualizar como o game pode interferir positivamente na vida dos nossos filhos?

Precisamos olhar com mais cuidado para essa questão. Afinal, travar uma guerra com os games não é uma boa ideia. Proibi-los não fará com que eles deixem de jogar e não desenvolverá neles o senso crítico.

É preciso deixar o preconceito de lado e realizar alguns questionamentos. Quais habilidades importantes ele pode estar adquirindo para o seu futuro pessoal e profissional?

Como adaptar e enxergar o game como um estudo, uma ferramenta de aprendizado, e não somente um entretenimento que gera uma dependência?

Como pai, entendo que os jogos são, sim, grandes aliados se há um equilíbrio com outras atividades.

Sinto que, como responsáveis, devemos nos esforçar para entender esse mundo e extrair o que ele tem de melhor para os nossos filhos.

Que Deus nos abençoe nesta missão de educar bem nossos filhos.

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